sexta-feira, 6 de agosto de 2021

72% das brasileiras não têm acesso a um banco de leite humano em sua localidade, diz estudo

Mesmo o Brasil tendo uma das maiores redes de Banco de Leite Humano do mundo.

Começou em 1º de agosto, a semana mundial de aleitamento materno, que vai até dia 7, e que este ano tem como tema “proteger a amamentação: uma responsabilidade compartilhada.” Além disso, o Banco de Leite Humano (BLH), tem como função promover o aleitamento materno todos os dias. E segundo a Rede Global de Bancos de Leite Humano Brasil (rBLH Brasil), o país possui a maior e mais complexa rBLH do mundo.

Porém, conforme constatou a Famivita em seu mais recente estudo, 72% das brasileiras não têm acesso a um banco de leite humano em sua proximidade. Sendo que o Distrito Federal é o estado em que mais mulheres possuem acesso a um banco de leite, com 54% das participantes. Em São Paulo, somente 30% têm acesso, e no Rio de Janeiro, o percentual cai para 28%. Já o Piauí é o estado com menor acesso a um banco de leite do país, com 16% das participantes.

Ademais, um dos objetivos desta semana tão importante, é manter a amamentação exclusiva durante os seis primeiros meses de vida, conforme recomendam a OMS - Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde. Porém, 31% das brasileiras não conseguiram atingir o objetivo de amamentar seus filhos, exclusivamente por seis meses. 

E os dados por estado demonstram que o Tocantins é o estado em que mais mulheres amamentaram exclusivamente, sendo que somente 10% não conseguiram. No Rio de Janeiro, 30% das entrevistadas não atingiram esse objetivo, e em São Paulo 35%. Já o Rio Grande do Sul é o estado em que menos mulheres amamentaram exclusivamente por seis meses, com 41% das participantes.

A falta de orientação adequada na hora de amamentar pode causar alguns transtornos para as mamães, podendo causar dor, e dificultando a pega pelo bebê. Porém, é muito importante que elas não desistam, pois o leite materno tem tudo que o bebê precisa para crescer saudável. É por isso que uma consultoria de amamentação, pode fazer toda a diferença. Com ela, as mamães têm acesso a profissionais especializados e experientes, consultoria 100% online e suporte pós-consulta durante 15 dias. Tudo isso, através de um processo muito rápido, e por um custo muito mais baixo do que as fórmulas e leites especiais.



terça-feira, 3 de agosto de 2021

Aleitamento materno: um ato a ser protegido e uma responsabilidade compartilhada

 De 1º a 7 de agosto, 120 países se mobilizam para a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM)


*Por Tiemi Yoshida

Pediatra, especialista em Neonatologia e Terapia Intensiva Pediátrica, fundadora do Instituto Ery


A mortalidade infantil ainda é um problema mundial. Estima-se que cerca de 820.000 mortes por ano em crianças menores que cinco anos poderiam ser evitadas por meio do aleitamento materno. Em outras palavras, a amamentação é a ação preventiva mais eficaz para melhorar essas taxas. Nesse sentido, a amamentação traz benefícios para a prevenção de doenças crônicas como: obesidade, diabetes, doenças alérgicas e melhora no desenvolvimento cognitivo, além de evidências crescentes na prevenção de leucemia.


Para a mulher, a amamentação diminui risco de câncer de mama, ovários e útero. Desse modo, cerca de 20.000 mortes anuais poderiam ser evitadas. Além disso, estudos recentes evidenciam menor índice de diabetes e doenças cardiovasculares nas mulheres que amamentam.


Por outro lado, as taxas globais de aleitamento materno continuam baixas. Apenas 41% dos bebês com menos de seis meses de idade são amamentados exclusivamente. Ao passo que, desses, apenas 45% continuam recebendo leite materno até os dois anos de idade. Ademais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a amamentação exclusiva até os seis meses e continuada até pelo menos dois anos de idade. A meta global é alcançar uma taxa de 50% de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade até 2025.


Por isso, anualmente, a primeira semana do mês de agosto traz consigo uma missão especial. De 1º a 7 de agosto, 120 países se mobilizam para a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). A princípio, este é um período que a agenda mundial dedica grande enfoque e atenção para: informar, engajar e promover ações que protejam e apoiem o aleitamento materno.


Ações para reduzir a mortalidade infantil


Em 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promoveram um encontro para debater ações para reduzir a mortalidade infantil. Então, a iniciativa resultou em um documento chamado Declaração de Innocenti. Este documento foi adotado por organizações governamentais e não governamentais, inclusive Brasil, e apresenta uma agenda internacional que tinha como principais objetivos:


Implantar um comitê nacional de coordenação da amamentação;

Assegurar que todas as maternidades respeitem os “10 passos para o sucesso da amamentação nas maternidades”;

Por em prática o Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do leite materno;

Aprovar leis de proteção da mulher que amamenta no trabalho.

Neste contexto, em 1991 foi fundada a Aliança Mundial Pró-Amamentação (WABA). Em seguida, em 1992, criou-se a Semana Mundial de Aleitamento Materno visando promover as metas da Declaração de Innocenti. A WABA tem como objetivos:


Restabelecer e manter mundialmente a cultura da amamentação;

Eliminar todos os obstáculos à amamentação;

Promover maior cooperação regional e nacional; 

Defender a amamentação, programas de desenvolvimento, de mulheres ou ecológicos.

Como são escolhidos os temas para a SMAM?


Anualmente, a WABA é quem define os temas para Semana Mundial de Aleitamento Materno. Geralmente, incluem: sistemas de saúde, mulheres e trabalho, o Código Internacional de Marketing de Substitutos do Leite Materno, apoio comunitário, ecologia, economia, ciência, educação e direitos humanos. 


Desde 2016, a Semana Mundial De Aleitamento Materno está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Por isso, este ano o tema é “Proteger a amamentação: uma responsabilidade de todos”.


SMAM 2021 – Proteger a Amamentação: Uma Responsabilidade de Todos


A amamentação não é responsabilidade da mulher e sim de todos nós. Ao passo que, o aleitamento materno é um direito humano que precisa ser respeitado, protegido e cumprido. 


Neste ínterim, é preciso uma abordagem de saúde pública sobre o aleitamento materno, onde governos, sociedade civil e outros parceiros trabalhem juntos para criar um ambiente favorável à amamentação. Outrossim, é um aspecto vital para proteger e apoiar o aleitamento materno.


Os objetivos da SMAM 2021:


- Informar as pessoas sobre a importância de proteger o aleitamento materno;

- Enfocar o apoio ao aleitamento materno como uma responsabilidade vital para a saúde pública;

- Envolver-se com organizações e indivíduos para buscar maior impacto;

- Articular as ações sobre a proteção do aleitamento materno para melhorar a saúde pública.


Ao mesmo tempo, a pasta de ação da SMAM 2021 analisa os desafios para a proteção do aleitamento materno sob os âmbitos nacional, sistema de saúde, local de trabalho e comunidade.


 Âmbito nacional: 

A maioria das mulheres deseja amamentar seus filhos. Porém, a falta de políticas de proteção social faz as taxas despencarem ao longo do tempo. No mundo, a taxa de aleitamento exclusivo até seis meses de idade – como recomendado – é de apenas 41%. De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), no Brasil, em 2019, este índice era de 45,7%.


Os elementos chaves para que os programas nacionais melhorem as taxas de aleitamento materno incluem: militância, vontade política, legislação, treinamento contínuo de recursos humanos, implementação de práticas baseadas em evidências em estabelecimentos de saúde – Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) – e programas de base comunitária (aconselhamento e apoio por pares na amamentação). Além disso, a importante fiscalização do marketing de substitutos do leite materno.


Nível de sistemas de saúde: 

Igualmente, muitos sistemas de saúde são incapazes de fornecer informações e suporte em longo prazo para as famílias que querem amamentar. Com isso, deixam-nos vulneráveis para o marketing de indústrias de fórmulas infantis e o desmame. Portanto, o investimento em treinamento dos profissionais em todos os níveis incluindo agentes comunitários é necessário para aconselhamento e resolução de problemas de amamentação.


Outro aspecto importante é ampliar a Iniciativa Hospital Amigo da Criança que sabidamente tem impacto positivo no aleitamento materno. Atualmente, no Brasil, 301 hospitais são certificados, mas é necessária uma maior capilarização.


No trabalho remunerado: 

A proteção social se dá por meio de licença maternidade, paternidade e parental, remuneradas financiadas pelo poder público preferencialmente até seis meses de vida do bebê. Por fim, a criação de locais de trabalho favoráveis às mães como salas de amamentação, salas de coleta e armazenamento do leite materno, horas flexíveis de trabalho e pausas durante a jornada de trabalho também auxiliam para prolongar a amamentação, se assim for o desejo da mulher.


Por outro lado, para os trabalhadores informais e para os estudantes, políticas de proteção social deveriam ser implantadas como salas de amamentação nas escolas e postos de saúde deveriam estar disponíveis.


Como resultado, no Brasil 60% das mulheres amamenta exclusivamente até os quatro meses de idade e depois a taxa cai para 45,7% aos seis meses. Provavelmente, este índice é devido ao impacto do retorno ao trabalho com o fim da licença maternidade.


Nível Comunitário

Muitas vezes, a decisão sobre a alimentação da criança é influenciada por parceiros, pela família estendida e pela comunidade em geral. Frequentemente, normas sociais e práticas tradicionais associada ao marketing da indústria de substitutos do leite materno impedem o aleitamento materno ideal. Associado a este fato, a falta de sistemas de apoio ao aleitamento a nível comunitário torna a proteção à amamentação uma tarefa difícil. Assim, se faz necessário um treinamento efetivo dos profissionais de atenção primária. Bem como, também é primordial desenvolver grupos comunitários que possam oferecer apoio ao aleitamento e estimular profissionais especialistas em aleitamento a estarem na mídia social para fornecer informação e suporte corretos.