quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Pai de Menina por Marcos Mion [ Resenha]

"Não acredito na teoria moderna,boa para tirar a culpa de pais que não conseguem estar presentes,de que é melhor ficar cinco minutos totalmente dedicados aos seus filhos do que muitas horas dividindo a atenção dada a eles com outras funções. Não.Eu acredito que é necessário tempo ao lado dos filhos para estarmos próximos deles, até para perceber que as coisas vão acontecendo ao longo do dia, que tudo varia de acordo com os diferentes períodos."



Quem conheceu Marcos Mion em seu tempo de VJ na MTV jamais imaginaria o paizão que ele viria a ser um dia não é mesmo?!
Eu e milhões de pessoas acompanhamos as mídias sociais de Mion e já estamos acostumados a ver sua inteira dedicação em ser um pai presente,em curtir sua família ao máximo.
E foi em reflexo ao retorno do público sobre esse compartilhamento de sua vida com seus filhos que Mion escreveu "Pai de Menina".
Para quem não sabe Mion é pai de 3 ,dois meninos e uma menina,Donatella.
Mion é um pai moderno no entanto presente,algo que nos dias atuais com toda a correria em que as pessoas entraram de cabeça é bem difícil de se ver infelizmente.
Quando vi o lançamento da Editora Planeta no selo Acadêmia não me preocupei em ler sinopse o título logo me laçou visto que sou mãe de menina ,meu esposo é um pai de menina super presente por puro instinto e em meu blog falo diretamente com famílias.
Tenho visto nas mídias sociais um crescimento de Pais presente influenciadores digitais no entanto Mion é a maior referência de pai presente que podemos encontrar na internet.
E vir dele essa necessidade de compartilhar com outros pais algo que é natural para ele é muito legal.
Nós vemos que ele não está pensando só em criar muito bem sua filha neste  mundão louco mas que sim quer montar uma irmandade paterna para que ela junto com outras filhas de pai presente conheçam seu espaço,seus direitos e deveres ,se conheçam acima de tudo.
E isso é no mínimo uma visão de um mundo melhor.O mundo em que preparamos nossos filhos para serem melhores do que nós somos.
"Aqui,cabem todas as desculpas e explicações do mundo, inclusive algumas realmente honestas e sérias,como não ter tempo por causa do trabalho,muitas vezes precisando dar conta de dois empregos.Sim,entendo,mas meu amigo,se ninguém nunca falou isso para você,falo eu: Esforce-se, não saia de cena,sob pena de criar uma distância tão grande entre vocês que nem no seu leito de morte vai achar redenção."
Em outro trecho do livro ele menciona algo muito óbvio mas que sim temos que alertar os pais,algo como: Seu filho é o que há de melhor em sua vida correto? E você não tem 15 minutos para ele?Eu acrescento ainda, quanto tempo você passa on line em redes sociais por dia?
Quanto tempo você passa assistindo um programa de TV ?
Ou quanto tempo você fica no whatsapp conversando com amigos?
E nem 15 minutos para filho?
Ele não é a prioridade?
Mion abre muito bem os olhos de pais ausentes neste livro ,mostra a importância do ser presente na vida da filha dos filhos e em como isso pode interferir na vida adulta dessa criança.Além disso no seu "manual da irmandade" ele da dicas para os pais mais tímidos de como melhorar ou recuperar o relacionamento com a filha .
Mion do simplesmente fantástico, adorei sua abordagem a esse assunto por ele escrever de forma bem informal como se fosse um papo camarada mesmo.Esse tipo de escrita a meu ver é mais fácil de ser aceito quando se trata em educação de filhos, relação parental.
Nunca colei tantos post It em um livro como esse .Muitas passagens bem interessantes para compartilharmos.
Eu indico essa leitura não somente para Pai de Menina mas para pais, mães,filhos,tios todo mundo.
Principalmente se ainda não for pai.É o tipo de livro que todos têm que ler!
Mion é o cara, agora quero enlouquecidamente autografar meu livro :)

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Coletivo Quizumba comemora 10 anos com estreia da fábula teatral Pequena história para um tempo sem memória no Sesc Pompeia

Após um pássaro agourento espalhar para longe as memórias dos moradores de uma vila, duas crianças viajam no tempo e se deparam com realidades nada agradáveis a fim de salvarem seus conterrâneos do total esquecimento. Peça inédita do Coletivo Quizumba têm musicais originais executadas ao vivo.



No ano em que comemora dez anos de atividades, o Coletivo Quizumba estreia o quarto espetáculo do seu repertório,pequena história para um tempo sem memória. Com o objetivo de criar peças para crianças e jovens com discussões sociais e políticas relevantes na contemporaneidade, o grupo elegeu para este trabalho temas como o período pós-abolicionista brasileiro, em que milhares de pessoas negras foram libertas da escravidão sem nenhum tipo de respaldo para se estabilizarem socialmente, e também a especulação imobiliária, uma das responsáveis por acentuar desigualdades sociais no país. A temporada começa no feriado do dia 7 de setembro, sexta-feira, ao meio-dia, e cumpre temporada sempre aos sábados e feriados, meio-dia, no teatro do Sesc Pompeia.

A peça se inicia com a chegada de um grande Marabu (ave africana carnívora que pode chegar a mais de um metro de altura) a uma vila. Cheio de segundas intenções, ele pede abrigo na cidade, que se recusa a acolhê-lo. Cansado de negociar com os cidadãos, o Marabu rouba a árvore do tempo que protege o local e, num bater de asas muito forte, faz uma ventania que varre as memórias das cabeças das pessoas, com exceção das memórias dos irmãos Muriquim e Dandará, que estavam escondidos dentro do tambor encantado da Dona Vó.

As crianças então conhecem Uxê, uma entidade que tem o poder de voltar no tempo e que levará as crianças em uma jornada capaz de devolver a memória de toda população. Na primeira viagem, os três vão parar no dia 14 de maio de 1888, apenas um dia depois da abolição da escravatura no Brasil. Lá se deparam com uma realidade bem diferente da que consta nos livros, pois a população negra, ainda que livre, não contava com nenhum tipo de suporte da sociedade para conquistar empregos e estabilidade social, entre outros direitos humanitários básicos.

Escravo já não sou, valei-me nossa senhora / Me diz onde é que eu vou / O que é que eu faço agora / Dia 13 de maio acabou a escravidão / Deixamos a senzala / O navio e o porão / Disseram que agora / Raiou o sol da liberdade /  Esqueceram de avisar que o negro / não é bem-vindo na cidade / Escravo já não sou, valei-me nossa senhora / Me diz onde é que eu vou /O que é que eu faço agora – Trecho de canção do espetáculo

Enquanto isso, na vila, o grande Marabu começa a implementar seu verdadeiro plano, que é encher a cidade de prédios e empreendimentos imobiliários, como oMarabus Village Garden Hill e o Marabu Center Plaza. A ave usa a seu favor um grande conhecimento de recursos tecnológicos e grava vídeos e lives para seus seguidores nas redes sociais.

Em outro momento da jornada de Uxê, Dandará e Muriquim, os três vão parar em uma região de São Paulo no início do século XX, onde milhares de famílias estavam sendo despejadas de suas moradias em nome da modernização da cidade.

Serviço
Pequena História Para Um Tempo sem Memória
Temporada: De 7 de setembro a 27 de outubro. Sábados e feriados, ao meio-dia.Local: Teatro do Sesc Pompeia (R. Clélia, 93 - Pompeia, São Paulo - SP, 05042-000).Capacidade: 387 pessoas. Classificação: Livre. Duração: 60 minutos. Ingressos: R$ 17 (inteira), R$ 8,50 (meia) e R$ 5 (credencial pena).