terça-feira, 12 de junho de 2018

A chegada de um filho muda bastante a vida do casal: como lidar?

A chegada de um filho em geral muda bastante a rotina do casal. A dinâmica familiar precisa adaptar-se ao recém-nascido, que consome muito tempo e energia dos pais. As novas responsabilidades exigem organização das duas partes e a falta dessa iniciativa pode acarretar em divergências.
Segundo Luciano Passianotto, psicoterapeuta e terapeuta de casais, é necessário que a maternidade/paternidade não seja vista romanticamente, pois a realidade acarreta demandas desagradáveis, como noites mal dormidas, insegurança ou ansiedade no cuidado do bebê e cobrança para aprender tudo relacionado ao mundo infantil.
O estresse pode causar conflitos sobre qualquer decisão e divisão de atividades tomadas, principalmente no primeiro ano de vida da criança, considerado um momento frágil e estressante, já que os pais precisamestar alertas, pois amamentação, cólicas, febres e qualquer negligência pode ter consequências graves.
As discussões sempre acontecerão, principalmente na criação do primeiro filho, visto que nos próximos os pais podem aplicar o conhecimento que adquiriram. Mesmo que os conflitos diminuam quando a criança se torna mais estável, quando os pequenos crescem as demandas e desafios mudam, causando novos questionamentos.
Para manter uma boa relação, o diálogo é essencial. O casal precisa ter uma boa comunicação e maturidade para que decida, de acordo com a individualidade de ambos, sobre a divisão de tarefas e responsabilidades que sejam mais adequadas a cada um.
"Da mesma forma que nas demais situações onde o casal pensa diferente, eles devem se comunicar bastante, expor seus desejos e frustrações e buscarem chegar a um acordo em que ambos façam concessões e tenham obrigações", afirma o especialista.
Quando houver discussão, não adianta escondê-la das crianças, que possuem uma boa percepção para identificar algo errado. Porém, quando as discussões forem mais acaloradas ou possuírem como tema a própria criança, deve-se evitar tê-las na presença do filho. Se o casal não consegue trabalhar em conjunto para resolver suas divergências, a terapia e ajuda de um profissional pode melhorar a comunicação e diminuir a intensidade e frequência das brigas.
Além disso, é importante que o casal invista em um tempo e energia na relação, para que tenham um relacionamento saudável. O afastamento de ambos pode ser prejudicial para a estrutura familiar.
"Por mais que o bebê seja dependente e a prioridade, a relação do casal não deve ser sacrificada para que eles sejam bons pais", explica Passianotto.
Os pais precisam agir de maneira adulta, analisando as necessidades de cada um e dos filhos para tomarem as melhores decisões.
"Pessoas têm valores, estilos e personalidades diferentes. É absolutamente normal que haja diferenças de opiniões e posturas. Lidar com essas diferenças com maturidade, sinceridade e paciência ajuda o casal a encontrar um meio termo ou a tomar a decisão que seja a mais apropriada para a família", completa.

Luciano Passianoto, psicólogo clínico